Quem cuida de quem cuida? Valorizar o cuidado também é garantir dignidade
Em cada jornada de cuidado, existem pessoas que oferecem tempo, atenção e acolhimento. Mas, para que ninguém precise cuidar sozinho, é fundamental reconhecer quem cuida e construir redes de apoio sustentáveis.

Cuidar também significa acolher, apoiar e garantir condições dignas para quem oferece cuidado.
Dia Internacional do Cuidado e Apoio: quem cuida de quem cuida?
Em 29 de outubro, o Dia Internacional do Cuidado e Apoio convida a sociedade a refletir sobre uma questão essencial: quem acolhe, orienta e oferece condições dignas às pessoas que dedicam seu tempo e trabalho ao cuidado de outras?
Na oncologia, essa reflexão ganha ainda mais importância. O diagnóstico de câncer não impacta apenas a pessoa que recebe a notícia. Ele transforma rotinas, reorganiza famílias e mobiliza uma rede de apoio formada por familiares, cuidadores, profissionais de saúde e outras pessoas que acompanham cada etapa do tratamento e da reabilitação.
Por trás de cada pessoa que enfrenta a doença, existem muitas mãos que ajudam a sustentar essa jornada. Reconhecer essa rede é também reconhecer que cuidar exige tempo, preparo, disponibilidade e apoio.
O cuidado vai além do tratamento
O cuidado em saúde não se resume a consultas, exames, cirurgias ou medicamentos. Ele também está presente na companhia durante uma consulta, no apoio para realizar atividades cotidianas, na escuta diante das incertezas e na ajuda necessária para enfrentar os desafios que surgem ao longo do tratamento.
Para muitas pessoas com câncer, especialmente aquelas que passam por procedimentos complexos ou enfrentam mudanças na fala, na deglutição, na respiração e em outras funções, o suporte de familiares e cuidadores pode ser fundamental para a continuidade do cuidado e para a recuperação da autonomia.
Essas pessoas frequentemente assumem responsabilidades que vão além do apoio emocional. Organizam medicamentos e consultas, acompanham deslocamentos, auxiliam na alimentação e na higiene e ajudam a lidar com as mudanças que a doença pode provocar na vida familiar.
Entretanto, para que essa rede permaneça ativa, também é necessário olhar para as necessidades de quem cuida.
Quem cuida também precisa de apoio
A dedicação ao cuidado pode envolver sobrecarga física, emocional, social e financeira. Muitas vezes, familiares e cuidadores reorganizam a própria rotina, reduzem o tempo destinado ao descanso e deixam em segundo plano suas necessidades pessoais.
Quando o cuidado é tratado como uma responsabilidade exclusivamente individual ou familiar, sem suporte adequado, essa sobrecarga pode se intensificar.
Por isso, valorizar quem cuida significa reconhecer suas necessidades, garantir acesso à informação, promover orientação adequada e ampliar as redes de apoio. Significa também compreender que o cuidado não deve depender apenas da disponibilidade e do esforço de cada pessoa.
Uma sociedade que reconhece a importância do cuidado precisa criar condições para que essa atividade seja exercida com dignidade, respeito e segurança.
Trabalho digno e sistemas sustentáveis de cuidado
Em 2026, o tema da data é “Construir sistemas sustentáveis de cuidados e apoio através do trabalho digno”.
A proposta reforça a importância de reconhecer o cuidado como parte essencial da organização social e dos sistemas de saúde. Isso envolve valorizar os profissionais que atuam nessa área, promover condições adequadas de trabalho, respeitar direitos e fortalecer políticas públicas que ampliem o acesso ao cuidado e ao apoio.
Também é importante reconhecer a realidade das pessoas que cuidam sem remuneração, muitas vezes dentro de suas próprias famílias. Embora o cuidado familiar tenha características diferentes do trabalho profissional, ele igualmente exige atenção, suporte e reconhecimento.
Construir sistemas sustentáveis significa desenvolver respostas que não dependam apenas do esforço individual. É necessário fortalecer serviços de saúde e assistência social, ampliar o acesso à orientação e à reabilitação e promover uma articulação efetiva entre os diferentes setores responsáveis pela proteção e pelo bem-estar das pessoas.
O trabalho digno e o apoio adequado contribuem para que o cuidado seja oferecido de maneira mais segura, contínua e humanizada.
Na oncologia, uma rede de apoio faz a diferença
A jornada oncológica pode apresentar desafios que se estendem muito além do período de tratamento. Dependendo do tipo de câncer e das intervenções realizadas, a pessoa pode precisar de acompanhamento prolongado, reabilitação e adaptações em sua vida cotidiana.
Nesse contexto, o cuidado precisa considerar a pessoa em sua integralidade, respeitando suas necessidades, sua autonomia e seu direito à dignidade.
Familiares, cuidadores, profissionais de saúde e organizações da sociedade civil podem contribuir para ampliar o acesso à informação, facilitar o acolhimento e fortalecer a defesa de direitos. Essa atuação em rede ajuda a tornar visíveis necessidades que nem sempre recebem a atenção necessária.
Para a ACBG Brasil, promover informação, acolhimento e defesa de direitos faz parte do compromisso com as pessoas que enfrentam o câncer e com todos aqueles que participam dessa jornada.
Reconhecer quem cuida também significa defender políticas públicas que ofereçam suporte às famílias, fortaleçam os serviços de saúde e assegurem condições adequadas para o cuidado e a reabilitação.
Valorizar o cuidado é uma responsabilidade coletiva
O Dia Internacional do Cuidado e Apoio é uma oportunidade para ampliar o debate e transformar reconhecimento em ações concretas.
Isso significa ouvir as pessoas que cuidam, compreender suas necessidades, valorizar os profissionais da área e defender políticas públicas que promovam acesso, proteção social e condições dignas de trabalho.
Cuidar não deve ser uma tarefa solitária. Precisa ser uma responsabilidade compartilhada entre famílias, sociedade, serviços de saúde, poder público e demais setores envolvidos na proteção e no bem-estar das pessoas.
GALs da ACBG Brasil: acolhimento, inclusão e laços que transformam
Cuidar também é criar espaços onde as pessoas possam ser ouvidas, compartilhar experiências e reconhecer que não estão sozinhas. É a partir dessa perspectiva que a ACBG Brasil fortalece seu compromisso com a inclusão por meio dos GALs, Grupos de Acolhimento e Laços, uma rede que hoje reúne 14 grupos no Brasil.
Os GALs são espaços de acolhimento e conexão que aproximam pessoas que vivenciam os desafios do câncer de cabeça e pescoço, promovendo a troca de experiências, o compartilhamento de informações e o fortalecimento de vínculos. Nesses encontros, histórias, dúvidas, aprendizados e sentimentos encontram espaço para serem compartilhados com respeito e empatia.
Essa rede também nos convida a ampliar o olhar sobre o cuidado. Acolher não significa apenas oferecer apoio diante das dificuldades, mas reconhecer cada pessoa em sua integralidade, respeitar suas singularidades e favorecer sua participação social. Significa compreender que a inclusão se constrói quando existem oportunidades reais de escuta, convivência, autonomia e pertencimento.
Ao fortalecer os GALs, a ACBG Brasil contribui para aproximar pessoas, conectar trajetórias e ampliar as redes de apoio que fazem diferença durante e após a jornada oncológica.
Porque ninguém deveria enfrentar os desafios do câncer sozinho. E porque cuidar também é acolher, incluir e criar laços.
Valorizar o cuidado é reconhecer que esta ação deve ser coletiva.
Neste 29 de outubro, fica o convite à reflexão: você já parou para pensar em quem cuida de quem cuida?
Conheça a missão, as campanhas e as iniciativas da ACBG Brasil. Acompanhe nosso trabalho nas mídias sociais pela informação, pelo acolhimento e pela defesa dos direitos das pessoas com câncer.








