O papel da ACBG Brasil na construção e implementação das diretrizes

A Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG Brasil), sediada em Florianópolis/SC, desempenhou um papel central na articulação e consolidação das políticas públicas para a pessoa com estomia respiratória em Santa Catarina. Por meio de um trabalho técnico e colaborativo de advocacy junto à Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com a Área Técnica da Saúde da Pessoa com Deficiência (ATPCD) e a Superintendência de Serviços Especializados e Regulação (SUR), a organização atuou diretamente para estruturar a linha de cuidado e viabilizar o acesso aos insumos essenciais de reabilitação.

O protagonismo da ACBG Brasil viabilizou conquistas fundamentais para a rede estadual de saúde:

  • Pionorismo nacional: Tornou Santa Catarina o primeiro estado do Brasil a instaurar diretrizes oficiais acompanhadas da padronização da dispensação de insumos essenciais para reabilitação pulmonar e fonatória pelo SUS.

  • Impacto social e assistencial: Assegurou o atendimento especializado e o acesso continuado a materiais de reabilitação para cerca de 300 catarinenses que se encontravam desassistidos desses cuidados específicos.

  • Garantia de direitos e reabilitação: Consolidou a inclusão de insumos vitais: como laringes eletrônicas, próteses fonatórias, cânulas e filtros HME, no fluxo assistencial do estado, transformando a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

Um reconhecimento indispensável à Jaqueline Reginatto (Coordenadora da Área Técnica da Saúde da Pessoa com Deficiência e Gerente de Habilitação e Redes de Atenção). Sua liderança, empenho e articulação técnica foram decisivos para que o processo desta diretriz avançasse e se concretizasse. Nosso muito obrigado pela parceria e compromisso com a causa!

Atenção à saúde das pessoas com estomia respiratória no Estado de Santa Catarina

A organização e a regulamentação do atendimento e da concessão de insumos para reabilitação às pessoas com estomia respiratória (traqueostomizados e laringectomizados) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina estruturam-se a partir de deliberações e diretrizes técnicas oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (SES/SC) e da Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

1. Rede de serviços aos ostomizados e critérios de habilitação

A consolidação inicial do fluxo e da estrutura assistencial foi fixada pela Deliberação 493/CIB/10, que estabeleceu os critérios para a constituição da Rede de Serviços aos Ostomizados no estado. O documento orienta a classificação e a distribuição dos serviços, garantindo a atenção integral, a capacitação profissional e a infraestrutura adequada para a prescrição, o fornecimento e o manejo dos coletores e insumos adjuvantes.

2. Diretrizes e atualizações para estomias respiratórias

Visando normatizar o fluxo assistencial, os critérios de inclusão/exclusão, a linha de cuidado e o fornecimento de insumos para reabilitação fonatória e pulmonar, as diretrizes estaduais foram atualizadas por meio da Deliberação 050/CIB/2022 (retificada em 19 de outubro de 2023), revogando a Deliberação 202/CIB/2019 e a versão anterior do documento de diretrizes.

O documento unifica e padroniza a concessão de materiais como laringes eletrônicas, próteses fonatórias, cânulas de traqueostomia, filtros HME e adesivos, além de adequar o lançamento de procedimentos na Tabela SIGTAP do SUS.

Aprovadas as Diretrizes para Atenção à Saúde da Pessoa Traqueostomizada e/ou Laringectomizada do Estado de Santa Catarina. Melissa Medeiros, Fundadora e Presidente da ACBG Brasil com Ramon Tártari, Superintendente de Serviços Especializados e Regulação.

28 de novembro de 2019

Entendendo a diretriz de atenção à saúde das pessoas com estomia respiratória em Santa Catarina

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC) estabeleceu diretrizes para organizar a atenção e a reabilitação de pessoas com estomia respiratória (traqueostomia e laringectomia) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Abaixo estão os pontos centrais do documento explicitados de forma simples e direta:

1. O que é uma estomia respiratória e qual o objetivo da diretriz?

  • O que é: Trata-se de um procedimento cirúrgico que cria uma abertura na traqueia/pescoço para permitir a respiração. É comum em casos de tumores de cabeça e pescoço (como o câncer de laringe) ou para suporte ventilatório.

  • Objetivo: Garantir a reabilitação pulmonar e a reabilitação da fala (fonatória), prevenir complicações, fornecer insumos necessários e melhorar a qualidade e a autonomia de vida dos pacientes.

  • Público-alvo: Adultos (a partir de 14 anos, 11 meses e 29 dias) residentes em Santa Catarina com traqueostomia e/ou laringectomia cadastrados no serviço estadual.

2. Insumos fornecidos pelo Estado

A diretriz padroniza o fornecimento gratuito de diversos materiais essenciais para o dia a dia:

  • Reabilitação fonatória: Próteses fonatórias, dispositivos de limpeza, plugues e laringe eletrônica (equipamento que auxilia na recuperação da fala emitindo som articulado).

  • Reabilitação pulmonar: Cânulas de traqueostomia (padrão, com fenestras e tipo button), protetores de estoma para o banho, adesivos de fixação e filtros HME (permutadores de calor e umidade que filtram o ar e protegem os pulmões).

3. Como solicitar e entrar no serviço (passo a passo)

  1. Avaliação médica: O paciente deve ter a indicação médica e o preenchimento dos formulários padronizados (Anexos I, II ou X) assinados por profissional habilitado (médico, fonoaudiólogo, enfermeiro ou fisioterapeuta, dependendo do caso).

  2. Documentação: Separar o formulário original junto com as cópias do RG, CPF, comprovante de residência e Cartão Nacional de Saúde (CNS).

  3. Entrega no município: A documentação deve ser apresentada na Secretaria Municipal de Saúde de residência do usuário.

  4. Análise e envio: A Secretaria Municipal envia o processo para a Gerência Regional de Saúde (GERSA), que o encaminha para regulação e cadastro no serviço estadual.

4. Responsabilidades na rede de atenção

A linha de cuidado funciona de forma integrada entre diferentes instâncias:

  • Secretaria Estadual de Saúde (SES): Adquire os materiais, analisa os cadastros e gerencia o sistema.

  • Gerência Regional de Saúde (GERSA): Confere os processos e faz a distribuição dos insumos.

  • Secretaria Municipal de Saúde (SMS): Recebe os pedidos, distribui os insumos de uso diário/pulmonares e garante o acompanhamento na atenção básica.

  • Rede hospitalar de referência (UNACON/CACON): Orienta o paciente na alta, realiza a adaptação e colocação da prótese fonatória e acompanha a reabilitação da voz.

  • Usuário/responsável: Deve manter os dados cadastrais atualizados, utilizar os materiais corretamente e informar sobre eventuais mudanças de endereço ou internação em planos privados.

5. Desligamento do serviço

A exclusão do serviço ocorre em situações específicas, tais como: alta médica por decanulação (quando o paciente retira a traqueostomia temporária), transferência de residência para outro estado, migração para plano de saúde privado, óbito ou por abandono (falta sem justificativa por 3 meses consecutivos).