Nódulo indeterminado de tireoide: próximos passos

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Nódulo indeterminado de tireoide: próximos passos

Importante:

Este conteúdo integra a página de Medicina de Precisão, que explora o papel dos testes moleculares na evolução do diagnóstico ao prognóstico. Uma série de três artigos sobre como a biologia molecular ajuda a tomada de decisão clínica. Conteúdo com apoio científico da Onkos.  Leia a página principal [aqui].

Nódulo indeterminado (Bethesda III ou IV): O que significa e quais os próximos passos?

Você fez o ultrassom, descobriu um nódulo, passou pela punção aspirativa por agulha fina (PAAF) e aguardou pelo resultado. Mas, ao abrir o laudo, a resposta não foi nem “benigno” nem “maligno.” O diagnóstico veio como “Nódulo Indeterminado”, classificado como Bethesda III ou IV. E agora?

O que é o Bethesda III ou IV?

O Sistema Bethesda é uma classificação padronizada usada mundialmente para interpretar os resultados da citologia da tireoide. Quando o resultado está nas categorias III ou IV, significa que a análise das células não foi conclusiva.

Bethesda III: As células apresentam alterações discretas ou atípicas, que não permitem classificar o nódulo como benigno nem como suspeito de malignidade.

Bethesda IV: As células têm padrão compatível com neoplasia folicular, mas a citologia não consegue avaliar critérios fundamentais, como invasão capsular ou vascular — necessários para diferenciar benigno de maligno.

Em ambos os casos, a incerteza paira no ar.

Os próximos passos: A cirurgia é a única saída?

Durante muito tempo, o próximo passo padrão para um Bethesda III ou IV era a cirurgia (tireoidectomia diagnóstica). O paciente ia para o centro cirúrgico, retirava a tireoide e, só depois, o nódulo inteiro era analisado no laboratório para descobrir se era maligno ou benigno. O grande problema? Em uma parcela significativa dos casos, o resultado pós-cirúrgico revela nódulos benignos.

O que mudou nos últimos anos? A principal mudança veio com a evolução da medicina de precisão. Hoje, além da avaliação clínica, do ultrassom e da citologia, existe a possibilidade de analisar o perfil molecular do nódulo.

Os testes moleculares para tireoide foram desenvolvidos justamente para esse cenário de indeterminação. Eles utilizam diferentes abordagens, como análise de mutações genéticas (DNA), expressão gênica (RNA), e regulação por microRNAs.

Essas informações ajudam a compreender melhor o comportamento biológico do nódulo, oferecendo uma estimativa mais refinada de risco.

Como isso impacta na decisão médica?

Com essa camada adicional de informação, a decisão deixa de ser baseada apenas na incerteza citológica.

Isso traz mais segurança para escolher o acompanhamento apropriado ou o planejamento cirúrgico.

E há inovação brasileira nesse cenário. O mir-THYpe é o único teste molecular nacional voltado a nódulos indeterminados, que utiliza a análise de expressão de microRNAs associada a marcadores genéticos para auxiliar na estratificação de risco. Os outros 3 que existem no mundo, Thyroseq, Afirma e Thygenext, são dos Estados Unidos.

Diante de um Bethesda III ou IV, o mais importante não é apenas chegar a uma resposta rápida, mas chegar à decisão mais adequada para cada paciente. 

Colaboração

Este conteúdo foi desenvolvido em colaboração com a equipe da Onkos, deeptech brasileira responsável pelo desenvolvimento do mir-THYpe, um teste molecular voltado à avaliação de nódulos indeterminados de tireoide que atua como ferramenta de suporte à decisão clínica, contribuindo para a estratificação de risco e para uma condução mais personalizada de cada caso. Saiba mais em: www.onkos.com.br/mir-thype/

Sobre a ACBG Brasil

Somos uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) dedicada ao aprimoramento de políticas públicas que assegurem o tratamento e a reabilitação integral de pacientes e sobreviventes de câncer. Disseminamos informações técnicas e estruturadas sobre a doença e os direitos fundamentais, facilitando o acesso em todas as esferas governamentais. Fundada em 2015, nossa missão é dar voz e visibilidade aos pacientes. Com o olhar voltado para o futuro, trabalhamos para reduzir a mortalidade e elevar a qualidade de vida de pessoas com câncer de cabeça e pescoço em todo o território nacional.

Melissa Medeiros, sobrevivente de câncer de laringe
Fundadora e Presidente Voluntária da ACBG Brasil
Conselheira no Conselho Nacional de Saúde – CNS e
Conselho Consultivo do INCA – CONSINCA e PNPCC

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