Tecnologia x Cirurgias desnecessárias na tireoide

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Tecnologia x Cirurgias desnecessárias na tireoide

Importante:

Este conteúdo integra a página de Medicina de Precisão, que explora o papel dos testes moleculares na evolução do diagnóstico ao prognóstico. Uma série de três artigos sobre como a biologia molecular ajuda a tomada de decisão clínica. Conteúdo com apoio científico da Onkos.  Leia a página principal [aqui].

Como a tecnologia aliada à ciência ajuda a evitar cirurgias desnecessárias na tireoide?

A medicina de precisão tem redefinido a forma como lidamos com doenças. Na prática, ela é sinônimo de decisões mais seguras embasadas em informações personalizadas de cada paciente.

No contexto dos nódulos de tireoide, esse avanço é especialmente relevante. Embora a maioria desse tipo de nódulo seja benigna, uma parcela considerável entra na categoria de indeterminação citológica (Bethesda III e IV). Isso significa que a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) não conseguiu definir com clareza se o nódulo é benigno ou maligno. 

Historicamente, essa incerteza levava a um caminho comum: a cirurgia diagnóstica. Estima-se que anualmente pelo menos 50 mil cirurgias para esclarecer o diagnóstico de nódulos indeterminados são realizadas só no Brasil.

Como a biologia molecular evita esse cenário?

Guidelines de instituições como American Thyroid Association (ATA) e European Thyroid Association (ETA) recomendam o uso de testes moleculares como apoio diagnóstico.

Um estudo de utilidade clínica da deeptech Onkos, por exemplo, publicado no The Lancet Discovery Science, mostrou que seu teste molecular 100% brasileiro, mir-THYpe, foi capaz de evitar quase 75% das cirurgias que seriam desnecessárias. Isso, considerando o cenário de incidência desse tipo de nódulo em nosso país, evitaria pelo menos 35 mil, das 50 mil cirurgias diagnósticas realizadas todo ano.

Os testes moleculares analisam alterações genéticas e moleculares presentes nas células do nódulo, permitindo acessar uma camada de informação que vai além da morfologia observada no microscópio.

Hoje, existem diferentes abordagens moleculares para nódulos indeterminados, incluindo:

-Testes baseados em painéis de mutações genéticas (DNA)

-Testes que combinam expressão gênica (RNA)

-Testes baseados em microRNAs, que avaliam a regulação da expressão genética

Se o perfil molecular indicar baixo risco de malignidade, por exemplo, o médico tem suporte clínico para optar pelo acompanhamento em vez da cirurgia, quando apropriado. A tireoide é preservada. 

Se o perfil molecular for compatível com alto risco de malignidade, o cirurgião consegue fazer um planejamento cirúrgico mais adequado desde o início.

Cada tecnologia tem suas particularidades, mas com foco em refinar o risco e apoiar a tomada de decisão clínica.

Diagnóstico + prognóstico

Outro avanço relevante na evolução dos testes moleculares é a capacidade de ir além da pergunta “é benigno ou maligno?”.

Alguns testes mais modernos, como o mir-THYpe, também trazem informações prognósticas, avaliando marcadores associados à agressividade tumoral, como mutações específicas e expressão de microRNAs.

É suporte para decidir se operar ou não, como operar, e qual estratégia seguir.

Colaboração

Este conteúdo foi desenvolvido em colaboração com a equipe da Onkos, deeptech brasileira responsável pelo desenvolvimento do mir-THYpe, um teste molecular voltado à avaliação de nódulos indeterminados de tireoide que atua como ferramenta de suporte à decisão clínica, contribuindo para a estratificação de risco e para uma condução mais personalizada de cada caso. Saiba mais em: www.onkos.com.br/mir-thype/

Sobre a ACBG Brasil

Somos uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) dedicada ao aprimoramento de políticas públicas que assegurem o tratamento e a reabilitação integral de pacientes e sobreviventes de câncer. Disseminamos informações técnicas e estruturadas sobre a doença e os direitos fundamentais, facilitando o acesso em todas as esferas governamentais. Fundada em 2015, nossa missão é dar voz e visibilidade aos pacientes. Com o olhar voltado para o futuro, trabalhamos para reduzir a mortalidade e elevar a qualidade de vida de pessoas com câncer de cabeça e pescoço em todo o território nacional.

Melissa Medeiros, sobrevivente de câncer de laringe
Fundadora e Presidente Voluntária da ACBG Brasil
Conselheira no Conselho Nacional de Saúde – CNS e
Conselho Consultivo do INCA – CONSINCA e PNPCC

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