Em 19 de setembro de 1990, a Lei nº 8.080 estabeleceu as bases legais do Sistema Único de Saúde, o SUS, regulamentando as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, além da organização e do funcionamento dos serviços de saúde no Brasil. A criação e regulamentação do SUS deram forma a um dos maiores projetos de saúde pública baseados no direito universal à saúde.
Hoje, ao celebrar 36 anos dessa trajetória, a ACBG Brasil reconhece a importância do SUS para milhões de brasileiras e brasileiros e reafirma uma convicção que orienta nossa atuação: cuidar da saúde é cuidar da pessoa em sua integralidade.

Saúde é um direito
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu a saúde como direito de todos e dever do Estado. A partir desse princípio, o SUS foi estruturado para garantir acesso universal às ações e aos serviços de saúde.
Isso significa que o cuidado em saúde não deve ser determinado pela capacidade de pagamento de uma pessoa. O SUS foi concebido para atender toda a população, articulando diferentes níveis de atenção e uma ampla rede de serviços, que inclui promoção da saúde, prevenção, atenção primária, atendimento especializado, urgência e emergência, atenção hospitalar, vigilância em saúde, assistência farmacêutica e reabilitação.
19 de setembro de 1990: nasce oficialmente o SUS
Foi em 19 de setembro de 1990 que a Lei nº 8.080 foi sancionada, regulamentando o Sistema Único de Saúde e estabelecendo as bases para sua organização e funcionamento.
A criação do SUS foi um marco na história da saúde pública brasileira. A partir dos princípios estabelecidos na Constituição Federal de 1988, o Brasil passou a estruturar um sistema público fundamentado na universalidade do acesso, na integralidade do cuidado e na equidade.
Mais do que uma data no calendário, 19 de setembro representa um marco na consolidação da saúde como direito de todos e dever do Estado.
E essa história continua sendo construída diariamente por profissionais de saúde, usuários, gestores, pesquisadores, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
Integralidade: olhar para a pessoa, não apenas para a doença
Entre os princípios fundamentais do SUS está a integralidade.
Na prática, integralidade significa compreender que uma pessoa não é apenas um diagnóstico, um exame ou um procedimento. O cuidado precisa considerar suas necessidades ao longo de toda a jornada de saúde, articulando promoção, prevenção, tratamento e reabilitação.
A própria Lei nº 8.080 estabelece a integralidade da assistência como um conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, nos diferentes níveis de complexidade do sistema.
Essa perspectiva é especialmente importante quando falamos de câncer.
Na oncologia, cuidar vai muito além do tratamento
Receber um diagnóstico de câncer pode transformar profundamente a vida de uma pessoa e de sua família.
Por isso, uma atenção integral precisa acompanhar diferentes momentos dessa trajetória: prevenção, diagnóstico, tratamento, acompanhamento, reabilitação e cuidados necessários para preservar a qualidade de vida.
No câncer de cabeça e pescoço, por exemplo, o tratamento pode trazer impactos que ultrapassam a própria doença. Alterações na fala, na deglutição, na respiração, na alimentação, na audição, na imagem corporal e na capacidade de comunicação podem exigir acompanhamento multiprofissional e processos de reabilitação.
É nesse contexto que o conceito de integralidade deixa de ser apenas um princípio previsto em lei e passa a representar uma necessidade concreta na vida das pessoas.
Cuidar não é apenas tratar. Cuidar é acompanhar. É reabilitar. É acolher. É garantir acesso. É preservar autonomia, dignidade e qualidade de vida.
Universalidade, equidade e integralidade
O SUS se estrutura sobre princípios que se complementam.
A universalidade reconhece a saúde como direito de todas as pessoas.
A equidade considera que pessoas e grupos possuem necessidades diferentes e que reduzir desigualdades exige respostas proporcionais às necessidades existentes.
A integralidade compreende a pessoa como um todo e busca articular diferentes ações e serviços para responder às suas necessidades de saúde.
Esses princípios são fundamentais para que o direito à saúde possa ser exercido de maneira concreta.
Um sistema que também inspira o mundo
A experiência brasileira também desperta interesse internacional.
A Organização Mundial da Saúde descreve o SUS como uma experiência de construção de cobertura universal de saúde e destaca a trajetória brasileira na organização da atenção primária e na busca pela cobertura universal.
Em 2026, a própria OMS destacou o SUS e a atuação brasileira na produção, pesquisa e inovação em saúde como exemplo de como instituições públicas fortes podem contribuir para a resiliência dos sistemas de saúde e para o acesso equitativo a insumos essenciais.
A Organização Pan-Americana da Saúde também tem destacado experiências brasileiras vinculadas ao SUS. Em 2025, por exemplo, uma experiência de cuidado regional em saúde na Bahia foi apresentada como uma boa prática de cuidado integral e recebeu a visita de representantes de 12 países.
Esses reconhecimentos mostram que a experiência brasileira faz parte do debate internacional sobre como construir sistemas de saúde universais, integrados e centrados nas pessoas.
Fortalecer o SUS é fortalecer o direito à saúde
Celebrar o SUS também significa reconhecer que sistemas públicos de saúde precisam ser continuamente aprimorados.
Fortalecer o SUS envolve garantir condições adequadas para que seus princípios possam ser efetivamente colocados em prática. Isso passa por acesso, financiamento, infraestrutura, qualificação profissional, incorporação responsável de tecnologias, organização das redes de atenção, participação social e redução das desigualdades.
Para quem enfrenta o câncer, fortalecer o SUS significa também fortalecer a capacidade de oferecer uma linha de cuidado que acompanhe a pessoa desde a prevenção e o diagnóstico até o tratamento, a reabilitação e o acompanhamento necessário.
A atenção integral precisa existir não apenas no discurso, mas nos serviços, nos protocolos, nas políticas públicas e na vida cotidiana de quem precisa de cuidado.
A ACBG Brasil e o compromisso com o cuidado integral
A ACBG Brasil atua para dar voz às pessoas que enfrentam o câncer de cabeça e pescoço e para ampliar o acesso à informação, à prevenção, ao tratamento, à reabilitação e aos direitos em saúde.
Nossa atuação parte da compreensão de que cada pessoa precisa ser ouvida em sua singularidade.
Por isso, neste aniversário de 36 anos do SUS, celebramos sua existência e reafirmamos a importância de uma saúde pública que enxergue além da doença.
Uma saúde que acolha.
Uma saúde que previna.
Uma saúde que trate.
Uma saúde que reabilite.
Uma saúde que respeite.
Uma saúde que dê voz.
Porque cuidar de todos também significa cuidar de cada pessoa.
36 anos do SUS
Que essa história continue sendo construída com compromisso, participação social, ciência, cuidado, equidade e respeito à dignidade humana.
Fortalecer o SUS é cuidar do presente e construir um futuro mais justo para a saúde no Brasil.
💙 ACBG Brasil – Dar voz a quem não tem e ser os olhos e ouvidos de tantos outros também!








