Guia de Reabilitação da Pessoa Laringectomizada no SUS • Fonatória e Pulmonar

Este guia da ACBG Brasil detalha o processo de reabilitação vocal e pulmonar para pacientes submetidos à laringectomia total através do SUS. O material explica o fluxo de atendimento, orientando desde a consulta inicial na Unidade Básica de Saúde até a obtenção de tecnologias como a laringe eletrônica e próteses fonatórias. Além de descrever o funcionamento dos filtros HME para a proteção do estoma, o texto esclarece os mecanismos de financiamento hospitalar e os prazos legais para resposta. Caso ocorram falhas no acesso aos insumos, as fontes instruem o cidadão sobre como acionar as ouvidorias competentes para garantir seus direitos. Em suma, o conteúdo serve como um roteiro prático para assegurar a qualidade de vida e a comunicação dos pacientes laringectomizados.

A Defensoria Pública é um direito seu e pode ser o caminho para garantir seu tratamento.

Quais são os principais pilares da reabilitação para laringectomizados?

Os dois principais pilares da reabilitação para pessoas laringectomizadas são a reabilitação fonatória e a reabilitação pulmonar. Devido à nova realidade anatômica após a remoção do tumor, o paciente perde a capacidade natural de vocalização e passa a respirar por um traqueostoma (orifício no pescoço), o que exige intervenções específicas para restaurar essas funções.

1. Reabilitação Fonatória (A Voz)

O foco central deste pilar é a recuperação da comunicação oral e a reintegração social da pessoa laringectomizada. No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento fonatório é um direito garantido por lei e já possui seus procedimentos integralmente inseridos na tabela. Para recuperar a comunicação, o SUS disponibiliza insumos como a prótese traqueoesofágica e a laringe eletrônica, que geram a voz a partir do redirecionamento do ar ou de vibrações.

 

2. Reabilitação Pulmonar (A Respiração)

O objetivo deste pilar é a proteção das vias aéreas, a prevenção de infecções pulmonares e a melhora da qualidade de vida.

Com a respiração sendo feita pelo pescoço, o paciente perde a fisiologia natural do nariz, fazendo com que o ar entre frio, seco e sujo diretamente na traqueia, o que aumenta os riscos de problemas broncopulmonares. A solução é o uso de proteção respiratória através do Sistema HME (permutador de calor e umidade), composto por um adesivo e um filtro que aquecem, filtram e umidificam o ar inspirado. Diferente da fonatória, o status da reabilitação pulmonar no SUS ainda está “em construção”. Na maioria dos estados, o acesso aos filtros e adesivos é limitado, exigindo que os pacientes recorram a processos administrativos detalhados ou até ações judiciais para garantir esses suprimentos.

Em suma, os dois pilares buscam devolver a qualidade de vida e a dignidade ao paciente, partindo do princípio fundamental de que falar e respirar é imprescindível.

Sobre a ACBG Brasil

Somos uma organização da sociedade civil de interesse público, OSCIP, que trabalha para melhorar e criar políticas públicas que garantam o acesso ao tratamento e à reabilitação integral dos portadores de câncer. Disseminamos informação técnica e de qualidade sobre o câncer e sobre os direitos básicos de maneira estruturada para que possam acessá-los em todas as esferas de governo. Fundada em 2015 com a missão de dar voz a quem não tem e ser os olhos e ouvidos de tantos outros também e com a visão de, no longo prazo, diminuir a mortalidade dos pacientes e ampliar a qualidade de vida dos portadores de câncer de cabeça e pescoço, a ACBG Brasil já alcançou os cinco cantos do Brasil por meio de suas iniciativas.
Melissa Medeiros, sobrevivente de câncer de laringe
Fundadora e Presidente Voluntária da ACBG Brasil
Conselheira no Conselho Nacional de Saúde – CNS e
Conselho Consultivo do INCA – CONSINCA e PNPCC