“A medicina de precisão é como abandonar as roupas de tamanho único para usar um traje feito sob medida: em vez de tratar todos os pacientes com o mesmo padrão, os médicos analisam o material genético e o estilo de vida de cada pessoa para descobrir exatamente qual tratamento funciona melhor para aquele organismo específico. É a tecnologia garantindo que o tratamento seja mais acertivo.” 

 

Medicina de precisão: o futuro da saúde agora

A transição da medicina convencional para a medicina de precisão marca um dos momentos mais disruptivos da história da saúde. No entanto, é importante pontuar: o objetivo desta matéria é apresentar as fronteiras da ciência e o que existe de mais moderno no mundo. Embora algumas dessas tecnologias já sejam realidade no brasil, outras ainda estão em fase de pesquisa ou possuem acesso restrito, não fazendo parte da prática diária da maioria dos centros de saúde.

Essa abordagem não foca apenas na doença, mas na interação entre a genética do indivíduo e seu ambiente. O objetivo é substituir o modelo tradicional por estratégias preditivas, oferecendo o cuidado certo, no momento exato.

Conheça as principais tecnologias que sustentam este novo paradigma e entenda em que estágio elas se encontram:

Testes moleculares: a ciência da precisão
Painéis genéticos e de expressão:

Utilizados para identificar assinaturas biológicas em doenças específicas. No Brasil, a Onkos é pioneira ao desenvolver painéis nacionais que, por meio da análise de microRNAs e inteligência artificial, ajudam a definir com precisão o diagnóstico e o prognóstico em casos de nódulos de tireoide, evitando cirurgias desnecessárias.

Sequenciamento de nova geração (NGS):

É a tecnologia mais robusta dentro dos testes moleculares. O NGS funciona como um “leitor” de alta velocidade capaz de mapear milhões de sequências genéticas ao mesmo tempo. Na prática clínica, ele é usado para identificar alvos terapêuticos em tumores complexos, permitindo a escolha de terapias-alvo com maior assertividade. Embora seja um padrão global, o acesso ao NGS no sistema de saúde ainda enfrenta desafios de custos e cobertura.

Biópsia líquida:

Diferente dos testes em tecidos, esta técnica busca fragmentos de tumor no sangue. Por ser muito menos invasiva que a biópsia tumoral, a biópsia líquida pode ser utilizada para avaliar alterações tumores no material genético tumoral encontrado no sangue do paciente. Na prática clínica atual, ela ainda não é utilizada para monitoramento do câncer, enfrentando barreiras de custo, tempo de resultado e falta de cobertura pelos planos de saúde.

Farmacogenética:

Estuda como o corpo reage aos remédios com base na genética. ajuda a evitar efeitos colaterais, mas sua aplicação depende da disponibilidade de testes específicos para cada tipo de fármaco.

Inteligência artificial e big data:

Sistemas que cruzam os dados genéticos do paciente com milhões de outros casos no mundo todo, ajudando o médico a escolher o tratamento ideal para cada paciente.

Imunoterapia personalizada: CAR-T cell therapy

Tratamentos que reprogramam as células de defesa do próprio paciente para que elas aprendam a atacar especificamente o câncer.

Terapia em estudo em diversas neoplasias com aprovacao em neoplasias hematologicas e alguns tipos de sarcoma.

Wearables e monitoramento digital:

Relógios e sensores que monitoram a saúde 24h por dia, conectando seu estilo de vida diretamente ao seu histórico médico para uma prevenção muito mais ativa.

 

 

Dra. Katia Regina Marchetti
Médica Oncologista Clínica do Hospital Sírio Libanês de Brasília e do Hospital de Base do Distrito Federal. Supervisora do Programa de Residência em Oncologia Clínica do Hospital de Base do Distrito Federal. Formação pela Faculdade de Medicina da USP / Instituto do Câncer do Estado de São Paulo -ICESP (Graduação e Residência). Doutora em Oncologia Clínica, cuja tese é focada em efeitos colaterais do tratamento de quimioterapia e radioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

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