Os dois principais pilares da reabilitação para pessoas laringectomizadas são a reabilitação fonatória e a reabilitação pulmonar. Devido à nova realidade anatômica após a remoção do tumor, o paciente perde a capacidade natural de vocalização e passa a respirar por um traqueostoma (orifício no pescoço), o que exige intervenções específicas para restaurar essas funções.
1. Reabilitação Fonatória (A Voz)
O foco central deste pilar é a recuperação da comunicação oral e a reintegração social da pessoa laringectomizada. No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento fonatório é um direito garantido por lei e já possui seus procedimentos integralmente inseridos na tabela. Para recuperar a comunicação, o SUS disponibiliza insumos como a prótese traqueoesofágica e a laringe eletrônica, que geram a voz a partir do redirecionamento do ar ou de vibrações.
2. Reabilitação Pulmonar (A Respiração)
O objetivo deste pilar é a proteção das vias aéreas, a prevenção de infecções pulmonares e a melhora da qualidade de vida.
Com a respiração sendo feita pelo pescoço, o paciente perde a fisiologia natural do nariz, fazendo com que o ar entre frio, seco e sujo diretamente na traqueia, o que aumenta os riscos de problemas broncopulmonares. A solução é o uso de proteção respiratória através do Sistema HME (permutador de calor e umidade), composto por um adesivo e um filtro que aquecem, filtram e umidificam o ar inspirado. Diferente da fonatória, o status da reabilitação pulmonar no SUS ainda está “em construção”. Na maioria dos estados, o acesso aos filtros e adesivos é limitado, exigindo que os pacientes recorram a processos administrativos detalhados ou até ações judiciais para garantir esses suprimentos.







