O Cenário do Câncer no Brasil (2026-2028): Alertas e Reflexões da ACBG Brasil

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O Cenário do Câncer no Brasil (2026-2028): Alertas e Reflexões da ACBG Brasil

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) publicou recentemente o Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil para o triênio 2026-2028, trazendo dados fundamentais para o planejamento das políticas públicas de saúde no país. A estimativa aponta para a ocorrência de 781 mil novos casos de câncer por ano, o que reforça a urgência de estratégias integradas de prevenção, diagnóstico oportuno e tratamento. Esse panorama geral revela a alta carga da doença no território brasileiro e a coexistência de diferentes estágios de transição epidemiológica entre as nossas regiões.

Dados Gerais

Ao analisarmos os números totais, observamos que os cânceres de mama feminina e próstata continuam sendo os mais frequentes, respondendo, cada um, por aproximadamente 15% das novas ocorrências. No entanto, é necessário olhar para além das grandes estatísticas para entender o impacto real em áreas específicas da oncologia. Para a ACBG Brasil, o novo relatório confirma tendências preocupantes em patologias que geram sequelas profundas e exigem uma rede de reabilitação complexa e estruturada.

Atenção aos 10.9%

O crescimento nominal de 10,9% no número total de casos estimados deve ser interpretado com rigor técnico, considerando a atualização das fontes de dados e o uso do Censo 2022. No nicho de cabeça e pescoço, os dados são alarmantes. O câncer de cavidade oral, por exemplo, registrou um aumento nominal de 13,8% em relação ao triênio anterior, consolidando-se como o quinto mais incidente entre os homens no Brasil. Já o câncer de laringe apresentou um crescimento de 9,2%, com 8.510 novos casos anuais previstos, mantendo-se como um dos principais desafios para a reabilitação de pacientes laringectomizados.

Os 3 tipos mais incidentes

Outro ponto de atenção crítica é o câncer de pulmão, que registrou uma alta de 8,6% e figura novamente entre os três mais incidentes em regiões como o Sul e o Centro-Oeste. Esse aumento está diretamente ligado ao efeito cumulativo do tabagismo e ao surgimento de novas formas de consumo de nicotina, como os cigarros eletrônicos. Paralelamente, o câncer de pele não melanoma apresentou o maior crescimento nominal do relatório, atingindo 19%, sendo essencial recordar que grande parte dessas lesões ocorre na face e no pescoço, áreas de constante exposição solar.

Cenário do Câncer de Cabeça e Pescoço

Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço – ACBG Brasil reforça que esses indicadores não são apenas estatísticas, mas vidas que dependem de diagnóstico precoce e suporte especializado. O país vive um cenário onde coexistem tumores associados ao envelhecimento e ao estilo de vida urbano com aqueles relacionados à vulnerabilidade social e causas infecciosas. Fortalecer os registros e as ações de rastreamento é o único caminho para garantir que esses novos pacientes tenham acesso a um tratamento digno e à plena reabilitação.

 

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Sobre a ACBG Brasil

Somos uma organização da sociedade civil de interesse público, OSCIP, que trabalha para melhorar e criar políticas públicas que garantam o acesso ao tratamento e à reabilitação integral dos portadores de câncer. Disseminamos informação técnica e de qualidade sobre o câncer e sobre os direitos básicos de maneira estruturada para que possam acessá-los em todas as esferas de governo. Fundada em 2015 com a missão de dar voz a quem não tem e ser os olhos e ouvidos de tantos outros também e com a visão de, no longo prazo, diminuir a mortalidade dos pacientes e ampliar a qualidade de vida dos portadores de câncer de cabeça e pescoço, a ACBG Brasil já alcançou os cinco cantos do Brasil por meio de suas iniciativas.
Melissa Medeiros, sobrevivente de câncer de laringe
Fundadora e Presidente Voluntária da ACBG Brasil
Conselheira no Conselho Nacional de Saúde – CNS e
Conselho Consultivo do INCA – CONSINCA e PNPCC

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